Nesta sexta-feira, 16 de janeiro de 2026, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, se reuniram no Palácio Itamaraty, no Rio de Janeiro, para finalizar os detalhes de um pacto comercial histórico entre o Mercosul e a União Europeia. O encontro marca a conclusão de negociações que duraram mais de 25 anos e pave o caminho para a assinatura oficial do acordo, programada para acontecer no dia seguinte, 17 de janeiro, em Assunção, Paraguai.
O tratado, segundo Lula, não é apenas uma conquista comercial, mas também um fortalecimento da democracia global. Para o Brasil, a conclusão deste acordo representa uma reintegração nas cadeias de valor internacional. A aprovação final pela União Europeia, concedida em 9 de janeiro, foi o sinal verde necessário para que essa reunião preparasse o anúncio oficial.
“Vencemos o ceticismo e as barreiras que nos travaram por 25 anos.” afirmou Lula.
Em termos práticos, o pacto promete um impacto significativo na economia domestica. A proposta prevê a eliminação progressiva de tarifas em cerca de 90% dos produtos comercializados entre os blocos, o que pode resultar, a médio prazo, em preços mais competitivos para produtos importados da Europa, como vinhos, queijos, chocolates e tecnologia.
No que diz respeito às exportações, cerca de 95% dos produtos do Mercosul terão suas tarifas zeradas pela União Europeia ao longo de um período de até 12 anos. Setores-chave da economia brasileira, como o agronegócio e a indústria têxtil, poderão se beneficiar enormemente com a redução das barreiras de entrada, promovendo aumento na produção e geração de empregos qualificados.
A presidente da Comissão Europeia também ressaltou o interesse da Europa em estabelecer parcerias para a transição energética, destacando o potencial do Brasil em fornecer minerais críticos para a fabricação de baterias e tecnologias limpas. Isso posiciona o Brasil como um parceiro estratégico para as metas de descarbonização da União Europeia e pode atrair novos investimentos para a infraestrutura brasileira.
Entretanto, especialistas apontam que, embora as expectativas sejam altas, os benefícios financeiros para o consumidor não serão imediatos. O cronograma de implementação das novas tarifas é gradual e pode levar mais de uma década até que o livre comércio se consolide plenamente. Por outro lado, a segurança jurídica que o acordo proporciona pode contribuir para a redução da volatilidade do mercado e atrair capital de longo prazo ao país.