Um novo relatório do Fundo Monetário Internacional (FMI) revela que a Inteligência Artificial (IA) poderá afetar cerca de 40% dos empregos em todo o mundo. Apresentado em janeiro de 2026, o estudo destaca que a automação não se limitará a atividades repetitivas, mas alcançará até funções mais complexas, especialmente nas economias desenvolvidas, onde até 60% dos postos de trabalho podem passar por mudanças significativas.
A diretora-geral do FMI, Kristalina Georgieva, enfatiza que estamos diante de uma revolução tecnológica que traz tanto oportunidades de produtividade quanto riscos de aumentar a desigualdade social. Segundo ela, para que a transição ocorra de maneira eficaz, é essencial que os governos implementem políticas de proteção social e programas de requalificação profissional.
“A IA está redesenhando o futuro do trabalho de maneira inigualável”, afirma Georgieva
O relatório também destaca uma crescente disparidade entre os blocos econômicos. Enquanto as nações desenvolvidas têm mais chances de aproveitar as vantagens da IA, os países em desenvolvimento, como o Brasil, enfrentam obstáculos provocados pela falta de investimentos em tecnologia. O FMI alerta que essa situação pode agravar a desigualdade salarial, beneficiando apenas os trabalhadores com habilidades avançadas.
No caso do Brasil, a análise indica que o país carece de mão de obra qualificada com competências tecnológicas. Embora haja uma alta demanda por profissões nas áreas de ciência, tecnologia, engenharia e matemática (STEM), a oferta atual ainda é insuficiente. A remuneração para aqueles que dominam habilidades digitais já está aumentando, mas, sem uma reforma educacional abrangente, o Brasil poderá enfrentar um déficit de profissionais qualificados.
Além disso, o FMI sugere que o Brasil e outros mercados emergentes implementem políticas que favoreçam a mobilidade laboral. Isso inclui programas de treinamento contínuo e iniciativas para facilitar o deslocamento de trabalhadores para centros de inovação. A análise sabe que a IA não resultará na eliminação linear de empregos, mas criará novas funções que exigem uma combinação de criatividade e supervisão técnica, necessitando de uma flexibilidade adaptativa na economia.
Por fim, o relatório aborda as repercussões geopolíticas, indicando que a liderança na adoção da IA poderá redefinir o poder econômico global nas próximas décadas. O FMI prevê um crescimento global de 3,1% para 2026, que dependerá da capacidade de adaptação às mudanças tecnológicas. Para evitar que a IA se torne um fator de isolamento econômico, a cooperação internacional é considerada essencial, e as lideranças mundiais devem estabelecer padrões éticos e regulatórios que equilibrem a proteção dos trabalhadores e a inovação tecnológica.